Por que líderes bons também tomam decisões ruins?

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Por VaNessa Carvalho

Existem crenças na liderança que dificilmente são questionadas. Uma delas é a de que quanto mais experiência alguém acumula, menor deveria ser a chance de tomar uma decisão ruim. A lógica parece fazer sentido. Afinal, se aquela pessoa chegou até ali, liderou grandes equipes, atravessou crises, entregou resultados e conquistou reconhecimento, espera-se que tenha desenvolvido um julgamento acima da média.

No entanto, a experiência pode produzir um efeito curioso. Ao mesmo tempo em que amplia repertório, ela também pode fortalecer certezas que deixam de ser questionadas e é justamente aí que alguns dos maiores erros começam.

Ao longo da minha carreira, percebi, em diferentes situações, decisões ruins nascendo de profissionais experientes, inteligentes e com profundo conhecimento do negócio. Lideranças que tinham acesso às melhores informações disponíveis e, ainda assim, seguiram caminhos que, vistos algum tempo depois, pareciam difíceis de compreender. Mas quem disse que a gente tem a visão do todo?

Em um mundo transversal, de múltiplas transformações, quantas vezes a liderança está focada em resolver determinados problemas, enquanto uma crise, daquele ângulo, chega camuflada e sorrateiramente? E por que acreditamos que bons líderes estariam imunes a esse risco?

A resposta passa por uma característica comum a todos nós. Nenhum ser humano toma decisões a partir da realidade inteira. Nós decidimos a partir da realidade que conseguimos perceber, interpretar e conectar naquele momento e essa percepção dificilmente é objetiva.

Ela é atravessada por experiências anteriores, crenças, interesses, emoções, relações de poder, pressões do contexto e inúmeras influências das quais nem sempre temos consciência. É por isso que duas pessoas igualmente preparadas conseguem olhar para exatamente o mesmo cenário e chegar a conclusões completamente diferentes.

No ambiente corporativo, esse fenômeno aparece com muito mais frequência do que imaginamos. A estratégia que insistimos em manter pode estar sendo sustentada menos pelos fatos e mais pelo desconforto de admitir que chegou a hora de mudar. A urgência que parece justificar uma decisão precipitada pode esconder ansiedade. A convicção inabalável pode não ser coragem, mas dificuldade de reconsiderar uma posição construída ao longo de muitos anos.

O aspecto mais desafiador é que essas situações dificilmente se apresentam dessa forma enquanto estão acontecendo. Quase toda decisão ruim parece razoável quando é tomada. Ela vem acompanhada de argumentos convincentes, boas intenções, pressões legítimas e explicações coerentes. Só depois, quando o desfecho já é conhecido, tudo parece óbvio para quem vê de fora.

Talvez seja justamente por isso que eu goste da metáfora da brincadeira da cabra-cega para falar sobre liderança. Pelo desconforto da posição, pela visão comprometida em contextos desafiadores e, principalmente, por, na maior parte do tempo, pouco aproveitarmos a oportunidade de usar essa venda a nosso favor, permitindo-nos sentir o que as nossas próprias convicções insistem em esconder.

Líderes bons também tomam decisões ruins (e você não está imune a isso), livro de minha autoria, com prefácio de Luiza Helena Trajano e publicado pela Editora Gente, é o guia que eu gostaria de ter tido nos momentos mais desafiadores da minha carreira e que agora eu tenho (e você também pode ter).

O livro, que foi lançado neste mês de julho, não traz fórmulas mágicas, mas uma metodologia prática, construída a partir de conceitos consolidados e de casos reais, para ajudar você a questionar os “sempres” e os “nuncas” da sua vida, a entender o que o cega, os movimentos que fazem você enxergar melhor e a se posicionar com valentia depois de ampliar a sua compreensão.

Espero muito que gostem e que não seja um livro para ler apenas uma única vez, mas para acompanhar vocês durante toda a jornada.

Vanessa Carvalho

Sócia da CCL Projetos Transformacionais| Conselheira | Autora Best-Seller

Intagram: @vanessafmdecarvalho

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