Roberto Lessa. O homem que voltou às raízes para construir o futuro

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Por Fátima Reis

Depois de mais de 30 anos na alta gestão, o executivo transforma experiência internacional, inovação e conhecimento em um novo capítulo no agronegócio brasileiro

Há carreiras construídas para chegar ao topo. Outras parecem ganhar um novo significado justamente quando quem chegou lá decide começar novamente.

A trajetória de Roberto Lessa reúne esses dois movimentos.

Engenheiro agrônomo, com mestrado em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Lessa construiu uma carreira de mais de três décadas ocupando posições de alta liderança. Passou pela direção de investimentos, presidência de agroindústrias e liderança executiva global, acumulando experiências no Brasil e em mercados internacionais, como Estados Unidos, Europa e China, segundo seu perfil divulgado pela World Cocoa Foundation.

Mas talvez o capítulo mais representativo de sua história não esteja apenas nas empresas que ajudou a desenvolver.

Está naquilo que decidiu construir depois.

Hoje, à frente de seus próprios projetos, Roberto leva para o campo décadas de experiência em estratégia, gestão, investimentos e expansão de negócios. A Vila Opa Cocoa Farm tornou-se uma expressão concreta dessa nova fase: uma propriedade voltada à produção de cacau que reúne tecnologia, gestão, sustentabilidade e inovação.

É como se sua trajetória tivesse completado um círculo.

O agrônomo tornou-se executivo. O executivo tornou-se líder global. E o líder decidiu voltar ao agro — agora com um repertório completamente diferente daquele com que começou.

DO AGRÔNOMO AO EXECUTIVO GLOBAL

A formação em Engenharia Agronômica colocou Roberto Lessa em contato com um dos setores mais importantes da economia brasileira.

Mas sua carreira rapidamente ultrapassaria as fronteiras da atividade técnica.

Ao longo de mais de 30 anos, ele ampliou sua atuação para áreas como gestão, investimentos, agroindústria e estratégia empresarial.

A formação acadêmica também acompanhou essa transformação. Com mestrado em Gestão Empresarial pela FGV, passou a reunir dois mundos que mais tarde seriam fundamentais em sua trajetória: conhecimento sobre o campo e visão estratégica sobre negócios.

Vieram posições de liderança cada vez maiores.

Direção de investimentos.

Presidência de agroindústrias.

Gestão de grandes operações.

Atuação internacional.

Experiências nos Estados Unidos, Europa e China.

Mais do que uma sucessão de cargos, esse período construiu um repertório sobre crescimento, gestão de pessoas, tomada de decisões e desenvolvimento de negócios.

Roberto deixou de olhar apenas para aquilo que uma empresa produz.

Passou a olhar para aquilo que uma empresa pode se tornar.

O DESAFIO OBRIGADO

Entre os capítulos importantes dessa trajetória está sua participação no projeto da Obrigado.

Em 2015, Roberto Lessa aparecia como COO do Grupo Aurantiaca, responsável pela marca de água de coco Obrigado, em reportagem do Meio & Mensagem.

O negócio representava uma proposta ambiciosa de atuação no mercado de bebidas, conectando produção agrícola, indústria, marca, distribuição e expansão.

No ano seguinte, a Exame noticiou que o projeto acumulava investimentos de R$ 570 milhões e avançava em sua estratégia de expansão, inclusive para mercados internacionais como Estados Unidos e Europa.

Para Roberto, aquela experiência se somaria a uma carreira marcada por grandes operações e desafios complexos de gestão.

Mas existe uma diferença importante entre administrar o crescimento de organizações e construir aquilo que carregará seu próprio nome, suas ideias e sua visão.

Era justamente esse próximo movimento que começaria a ganhar espaço.

QUANDO A EXPERIÊNCIA SE TRANSFORMA EM EMPREENDEDORISMO

Depois de décadas dedicadas à alta gestão, Roberto Lessa iniciou um capítulo diferente.

O conhecimento adquirido na administração de grandes negócios passou também a ser direcionado aos próprios projetos.

É nesse contexto que aparece a RX Lessa e uma estrutura empresarial ligada a atividades que incluem agricultura, comércio, exportação e consultoria.

A mudança representa mais do que uma transição profissional.

É uma mudança de perspectiva.

Depois de contribuir para a construção de diferentes organizações, Roberto passa a transformar experiência em patrimônio intelectual e empresarial próprio.

O que durante décadas havia aprendido dentro das empresas começava agora a orientar aquilo que desejava construir para o futuro.

SOUSA RIBEIRO: DO CAMPO BRASILEIRO PARA O MUNDO

A experiência internacional de Roberto Lessa não está presente apenas nos cargos que ocupou ou nos mercados onde atuou como executivo. Ela também se materializa na Exportadora Sousa Ribeiro, empresa dedicada à produção e à comercialização internacional de guaraná brasileiro.

Fundada em 2005, a Sousa Ribeiro completa 21 anos de atuação em 2026. Ao longo dessa trajetória, expandiu sua presença internacional e passou a exportar guaraná para 18 países, conectando a produção agrícola brasileira a diferentes mercados ao redor do mundo.

O negócio representa outro capítulo importante na trajetória empreendedora de Roberto. Na Sousa Ribeiro, seu conhecimento sobre agricultura, gestão, logística, qualidade e comércio exterior encontra uma aplicação prática: transformar um produto genuinamente brasileiro em uma operação internacional estruturada e competitiva.

Especializada em produtos orgânicos e provenientes de relações comerciais justas, a empresa mantém sua atuação fundamentada em qualidade, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental. De acordo com o site oficial www.sousaribeiro.com.br site oficial, a produção e a logística seguem padrões rigorosos, apoiados por processos de auditoria, certificações e acompanhamento dos pedidos.

Mais do que exportar guaraná, a Sousa Ribeiro leva ao mercado internacional uma proposta baseada em confiança, excelência e construção de relações duradouras com produtores, fornecedores e clientes.

CRESCER SEM PERDER AS RAÍZES

A sustentabilidade ocupa uma posição central nesse modelo de negócio. A empresa procura estabelecer relações equilibradas que beneficiem agricultores, colaboradores, clientes, comunidades e o meio ambiente.

Entre as iniciativas adotadas estão o uso integral de energia elétrica proveniente da luz solar, o apoio à produção local e a projetos voltados ao desenvolvimento das comunidades. A empresa também criou o projeto Orgulho de Produzir, destinado a ouvir os agricultores, identificar suas necessidades e contribuir para o fortalecimento da cadeia produtiva regional.

Essa atuação demonstra que a internacionalização, na visão de Roberto Lessa, não deve acontecer de forma desconectada da origem do produto. O crescimento precisa gerar valor em toda a cadeia — desde quem cultiva até quem recebe o produto final em outro país.

A Sousa Ribeiro traduz, assim, uma característica presente em toda a sua trajetória: a capacidade de unir o conhecimento do campo a uma visão global de negócios.

Durante 21 anos, a empresa ajudou a levar o guaraná brasileiro a 18 países. Mas sua contribuição vai além dos números. Ela mostra que tradição agrícola, sustentabilidade, qualidade e competitividade internacional podem fazer parte de uma mesma estratégia.

“Levar o guaraná brasileiro ao mundo é também valorizar quem o produz, preservar sua origem e fortalecer toda a cadeia.”

VILA OPA: O RETORNO AO CAMPO

É na Vila Opa Cocoa Farm que essa história talvez encontre sua síntese mais interessante.

O engenheiro agrônomo que construiu uma carreira internacional retorna às origens profissionais, mas encontra um campo completamente diferente.

E também retorna como um profissional diferente.

Agora, Roberto leva consigo décadas de experiência executiva.

Na propriedade localizada em Taperoá, na Bahia, tecnologia e agricultura caminham juntas.

Em reportagem publicada em abril de 2026, o Movimento Econômico apresentou a Vila Opa como uma fazenda de 148 hectares que vem utilizando recursos como mecanização, sensores, inteligência artificial e bioinsumos associados à produção de cacau.

Segundo Lessa declarou à publicação, a mecanização possibilitou reduções de até 45% nos custos operacionais em determinadas atividades.

Não se trata, portanto, simplesmente de produzir cacau.

Trata-se de questionar como produzir melhor.

Depois de ajudar a transformar negócios, Roberto Lessa passou a transformar o próprio campo em um laboratório de inovação.

TECNOLOGIA, GESTÃO E O NOVO AGRO

A Vila Opa também representa uma transformação que acontece em escala muito maior no agronegócio.

O produtor rural contemporâneo precisa compreender produtividade, tecnologia, dados, custos, sustentabilidade, pessoas e mercado.

É justamente nessa interseção que a experiência de Roberto ganha relevância.

Inteligência artificial, sensores, agricultura de precisão, mecanização e bioinsumos deixam de ser conceitos distantes quando começam a resolver problemas concretos do campo.

Nesse novo ambiente, uma propriedade rural também precisa ser administrada com indicadores, processos, planejamento e capacidade de inovação.

A tecnologia não substitui o conhecimento agrícola.

Ela potencializa decisões.

E Roberto parece ter encontrado justamente nesse encontro entre agronomia e gestão uma das missões de sua nova fase profissional.

A INQUIETUDE COMO MOTOR

Há um traço na filosofia empresarial de Roberto Lessa que ajuda a compreender não apenas suas escolhas profissionais, mas também a forma como ele enxerga liderança, crescimento e inovação: a recusa em se acomodar.

Em entrevista ao jornal A TARDE, publicada em 2015, uma de suas ideias ganhou destaque: mesmo quando os resultados são positivos, é preciso provocar movimentos que desafiem a empresa a evoluir.

A lógica é simples, mas poderosa: organizações que esperam a crise chegar para mudar geralmente já estão atrasadas. Para Lessa, o melhor momento para questionar modelos, rever estratégias e buscar novos caminhos é justamente quando tudo parece estar funcionando.

Questionar para evoluir.
Experimentar para descobrir.
Antecipar para não ser surpreendido.
Mudar para continuar crescendo.

Essa inquietude atravessa diferentes momentos de sua trajetória. Depois de mais de três décadas na alta gestão, com experiências no Brasil e no exterior, Roberto poderia ter considerado sua carreira consolidada.

Mas escolheu um caminho diferente.

Transformou experiência em novos projetos, conhecimento em empreendedorismo e o campo em espaço para inovação.

Porque, para quem acredita que sempre existe uma maneira melhor de fazer, chegar ao sucesso nunca significa chegar ao fim.

Significa estar pronto para construir o próximo capítulo.

SUCESSÃO: UM LEGADO QUE NÃO APRISIONA

Ao construir seus negócios agrícolas, Roberto Lessa não pensa apenas na produtividade de hoje. Seu olhar também está voltado para aquilo que permanecerá no futuro — e, principalmente, para a forma como esse patrimônio chegará às próximas gerações.

Patriarca e fundador de empreendimentos ligados ao campo, ele reconhece que a agricultura representa muito mais do que uma atividade profissional. É um sonho cultivado com trabalho, estratégia, disciplina e profundo respeito pela terra. Mas a maturidade lhe ensinou que sonhos pessoais não devem se transformar em obrigações para os filhos.

Para Roberto, a sucessão no agronegócio não pode ser imposta. Precisa ser apresentada como um convite: livre, respeitoso e consciente.

Essa visão rompe com uma tradição ainda presente em muitas empresas e propriedades familiares, nas quais os herdeiros são conduzidos a assumir responsabilidades sem preparo, identificação ou verdadeiro desejo de continuar o negócio. Quando isso acontece, o legado corre o risco de perder seu significado e o patrimônio construído durante décadas pode se transformar em fonte de conflitos.

Lessa escolheu outro caminho.

Ele constrói com paixão, mas sem impor às filhas a responsabilidade de reproduzir sua própria trajetória. Se, no futuro, elas desejarem participar dos negócios da família, serão acolhidas e preparadas. Se preferirem seguir outros caminhos, terão a mesma liberdade e o mesmo apoio.

“Crio um legado, mas não uma prisão.”

PREPARAR O NEGÓCIO PARA CONTINUAR

A liberdade das próximas gerações, no entanto, não significa ausência de planejamento. Ao contrário: exige ainda mais responsabilidade por parte de quem está construindo o patrimônio.

Por isso, Roberto estrutura sua visão sucessória sobre duas estratégias fundamentais.

A primeira é a profissionalização da gestão, com governança, processos, metas claras e uma estrutura capaz de garantir que os negócios continuem produtivos e sustentáveis independentemente de sua presença.

A segunda é a liquidez planejada. A proposta é transformar ativos em valor financeiro de maneira organizada, permitindo que, no futuro, o patrimônio herdado seja útil, flexível e compatível com os diferentes projetos de vida de suas filhas.

Essa forma de pensar mostra que sucessão não significa, necessariamente, manter um integrante da família na operação. Existem diferentes possibilidades: preparar os filhos gradualmente, investir em formação técnica e gerencial, criar conselhos familiares, estabelecer acordos entre herdeiros, contratar uma administração profissional ou até planejar a venda do negócio.

O importante é compreender que não existe uma fórmula única.

Mais do que garantir a continuidade do sobrenome à frente da empresa, a sucessão precisa preservar o valor construído, proteger os vínculos familiares e respeitar a individualidade de cada pessoa envolvida.

A VERDADEIRA HERANÇA

Na visão de Roberto, o maior legado não está apenas na terra, nos negócios ou no patrimônio acumulado. Está nos princípios transmitidos ao longo da vida.

O amor pela natureza.
O respeito pelas pessoas.
O compromisso com aquilo que é justo.
A responsabilidade de produzir com consciência.
A coragem para construir o próprio caminho.

Esses valores já fazem parte da história de suas filhas, mesmo que elas escolham destinos profissionais diferentes daqueles percorridos pelo pai.

É essa compreensão que torna sua visão sobre sucessão tão humana: Roberto não deseja formar continuadoras por obrigação, mas mulheres livres para decidir o que fazer com tudo aquilo que receberam — material e emocionalmente.

Seu maior desejo é que, no futuro, suas filhas não encontrem o peso de uma missão imposta, mas a tranquilidade de uma escolha preparada com amor, responsabilidade e respeito.

Porque um legado verdadeiro não aprisiona.

Ele oferece raízes fortes o suficiente para sustentar e liberdade suficiente para permitir novos voos.

“Afinal, não criamos herdeiros. Criamos filhos.”

LEGADO É AQUILO QUE CONTINUA

Talvez uma carreira de mais de 30 anos pudesse ser contada simplesmente por cargos, empresas, investimentos e resultados.

Seria pouco.

A história de Roberto Lessa se torna mais interessante quando observada pelas transformações que atravessou.

Do agrônomo ao executivo.

Do Brasil ao mundo.

Da gestão ao empreendedorismo.

Das grandes operações novamente para o campo.

E, finalmente, da experiência para o legado.

Hoje, o desafio parece não ser somente administrar aquilo que já existe, mas participar da construção da agricultura que ainda está por vir.

Roberto voltou às raízes.

Mas não para repetir o passado.

Voltou levando consigo tudo aquilo que aprendeu pelo caminho para ajudar a construir o futuro.

O verdadeiro legado de uma carreira não está apenas nas empresas que ajudamos a construir, mas no conhecimento que somos capazes de transformar em futuro.

Roberto Lessa

Engenheiro agrônomo, empresário e executivo. Mais de 35 anos em gestão, operações e desenvolvimento de negócios.

Instagram: @vila_opa | @r___x_lessa

www.rxlessa.com.br

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