O poder de viver plenamente o presente.
Por Renato Alves

Pare agora!
Respire profundamente três vezes!
Preste atenção no seu corpo: o que está acontecendo com ele? O que ele está tentando lhe dizer?
Perceba o ambiente ao seu redor… imagens, sons, sensações… Para onde todos esses estímulos levam a sua mente?
Parece estranho começar essa conversa desse jeito, mas preciso trazer sua atenção para o presente, e a melhor forma de fazer isso é puxando pelo “sentir”.
Há muito sabemos que uma mente focada é uma mente presente, contemplativa, observadora, reflexiva, não julgadora, devoradora de fatos que ocorrem no aqui e agora.
Ocorre que, na sociedade atual, viver no presente parece ser um exercício exclusivo de pessoas anormais, malucas, da “galera que viaja…”, como se diz popularmente. Quem está certo?
No mundo atual, o normal mesmo, segundo os gurus da alta produtividade, é a pessoa ter uma meta, encontrar seu propósito, encontrar sua grande missão de vida e se engajar. E, para ver tudo isso acontecer, ela acessa tudo quanto é tipo de ferramenta e recurso disponível: celular, aplicativos, mensagens, notificações e redes sociais. Será que esse é o melhor caminho?
Eu vejo o mundo de hoje como um grande “cabo de guerra”. De um lado, “influenciadores”, empresas e alta tecnologia exigem cada segundo da nossa atenção, com a desculpa de estarem tornando a humanidade mais engajada, conectada e produtiva. Do outro, nossa natureza humana grita e envia inúmeros sinais por meio de sentimentos, emoções, bocejos, dores e desconfortos, pedindo que paremos um pouco para contemplar.
Em meu décimo livro, Expandidos — Um Guia Para Expansão da Consciência e Despertar para uma Vida com Equilíbrio, Harmonia e Produtividade, publicado pela Editora Gente, convido os leitores a encontrar um momento do dia em que parem um pouco de olhar para fora e comecem a olhar para dentro de si.
Quando olhamos para dentro, experimentamos muitas vezes o silêncio e, junto com ele, ampliamos nossa percepção: a expansão da consciência propriamente dita. Nesses sagrados momentos, percebemos pequenos milagres que acontecem ao nosso redor e que a mente ocupada nos impede de enxergar. Movimentos belos, mas sutis, que muitas vezes passam despercebidos.
Por exemplo, um dia desses, eu olhava pela janela do meu banheiro no início da manhã. Com os vidros fechados, escovava os dentes quando notei um pequeno pássaro preto e amarelo. Ele estava bem pertinho do vidro refletivo, olhando para a própria imagem, como se estivesse admirado com a própria beleza, como se estivesse agradecendo por aquele momento.

Comecei a olhar para aquele pequeno ser e tive uma agradável sensação de conexão com a natureza. A gente acorda, escova os dentes, toma banho e se arruma diante do espelho, mas não gasta um minuto agradecendo pelo corpo, pela saúde, pelo dia que começa… Ao contrário, há pessoas que são absolutamente cruéis consigo mesmas, criticando-se duramente por não se encaixarem no “padrão estético e social”.
Naquele dia, providenciei água, fruta e comida. Eu queria experimentar de novo aquela sensação de conexão com a natureza.
Para minha surpresa, na manhã seguinte apareceram dois passarinhos: o amarelo do dia anterior e um novo e lindíssimo visitante azul. Nos dias seguintes, o bando começou a aumentar: chegou um verde, outro rajado, um beija-flor, um bem-te-vi e, agora, todas as manhãs, eu me entrego ao exercício de observar por alguns minutos meu “aviário de pássaros livres”. E acredite: isso me traz uma maravilhosa sensação de paz.
Pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, publicaram um estudo mostrando que pessoas que vivem em bairros com mais árvores e maior abundância de aves apresentam menor incidência de depressão, ansiedade e estresse. Eles concluíram que o hábito de “passarinhar”, ou seja, focar na observação dos movimentos e cantos das aves, desacelera os pensamentos ansiosos. É como se a natureza fosse um terapeuta competente que se apresenta todos os dias à nossa frente, mas que muitas pessoas simplesmente ignoram.
E aprendi, ao longo dos anos e por meio de muita observação, que a natureza tem poder de cura, mas, para isso, precisamos estar 100% focados no aqui e agora. Por isso, fiz o convite no início: pare agora, respire profundamente, sinta seu corpo, sinta o ambiente ao redor.
Note se existem traços de natureza ao seu redor, ainda que seja apenas uma plantinha ou até mesmo um pequeno inseto. O que podemos aprender observando eles? Feche os olhos, concentre-se nos sons. Leve a atenção ao seu corpo. O que ele está lhe dizendo? O que ele quer que você faça agora? Alimentar-se? Ir ao banheiro? Ele quer que você tire um pouco o pé do acelerador da vida? Ou simplesmente que se desligue por alguns minutos dessa roda infinita de tarefas que realizamos todos os dias?
É assim que uma mente focada trabalha. Parar, observar e sentir pode ser visto como perda de tempo para muitas pessoas, mas, para quem experimenta isso todos os dias, a mente focada se torna um poder absoluto diante de um mundo tomado pelos estímulos que sequestram nossa atenção. Mente focada não é aquela que tenta controlar tudo e todos, mas aquela que simplesmente observa, protege e cura a si mesma. É a mente que se volta para dentro e encontra o verdadeiro reino: o reino interior, a morada da alma, um lugar onde, cedo ou tarde, por bem ou por mal, todos nós iremos nos encontrar. Assim, meu convite hoje é para que você experimente um pouco da luz e da paz que uma mente focada no presente pode proporcionar a você agora. Pare… Respire… Experimente…
Renato Alves
Escritor e palestrante
Autor do livro Expandidos — Editora Gente
Instagram: @renatoalves.real

















